Principal competição paradesportiva de Santa Catarina adota audiodescrição, intérpretes de Libras e estruturas adaptadas; desafio é garantir autonomia também fora das arenas
Chapecó recebe até domingo (23) a 19ª edição dos Jogos Abertos Paradesportivos de Santa Catarina, o Parajasc. A competição reúne mais de 2,2 mil atletas de 74 municípios e coloca à prova não apenas o desempenho esportivo das delegações, mas também a capacidade da cidade de receber pessoas com diferentes tipos de deficiência.
Promovido pela Fundação Catarinense de Esporte (Fesporte) em parceria com a prefeitura, o evento envolve atletas com deficiência física, auditiva, intelectual e visual. As disputas estão distribuídas por 14 modalidades.
A abertura oficial será realizada nesta quarta-feira (19), às 19h, no Parque de Exposições Tancredo Neves, a Efapi. As primeiras provas, porém, começaram no fim de semana, com o atletismo.
Acessibilidade entra na estrutura do evento
Pela primeira vez, o Parajasc conta com audiodescrição e telões com intérpretes de Libras. A estrutura foi montada para facilitar o acesso de atletas surdos e com deficiência visual às informações das provas e da programação.
Também foram preparados trajetos para cadeirantes nos locais de competição, espaços adaptados e um tablado destinado a melhorar a visualização e a comunicação durante as disputas.
Segundo a intérprete Grecimara Alba, que trabalha no evento, a adoção desses recursos representa um avanço para a comunidade surda. A avaliação é de que a informação acessível permite uma participação mais autônoma dos atletas.
A pista sintética utilizada nas provas de atletismo possui certificação internacional. De acordo com a organização, as adaptações realizadas nos complexos esportivos procuram facilitar o deslocamento das delegações e o trabalho de guias, operadores de rampa, técnicos e auxiliares.
O teste continua fora das arenas
A estrutura esportiva representa apenas uma parte da experiência. Um evento que pode movimentar aproximadamente cinco mil pessoas também testa a acessibilidade de hotéis, restaurantes, calçadas, transporte público e deslocamentos entre os alojamentos e os locais das provas.
É nesse percurso cotidiano que a avaliação precisa avançar. Rampas inadequadas, ausência de sinalização tátil, obstáculos nas calçadas, veículos sem adaptação e falhas na comunicação podem limitar a autonomia mesmo quando a praça esportiva está preparada.
Até o momento, as informações divulgadas partem principalmente da organização e das autoridades esportivas. Uma avaliação mais completa dependerá de ouvir atletas das diferentes delegações sobre os deslocamentos, os alojamentos e as condições encontradas fora dos locais de competição.
Chapecó leva sua maior delegação
Chapecó participa com 279 atletas, a maior delegação já inscrita pelo município no Parajasc. Somados técnicos, professores, guias, operadores de rampa e demais integrantes, o grupo local passa de 350 pessoas.
Entre os atletas chapecoenses, 93 competem na categoria de deficiência física, 69 na deficiência intelectual, 59 na deficiência auditiva e 58 na deficiência visual.
O atletismo concentra a maior participação, com 125 representantes. A delegação também disputa modalidades como natação, ciclismo, tênis de mesa, futsal, basquete, bocha, goalball, handebol em cadeira de rodas, judô e parataekwondo.
Chapecó é considerada o berço do Parajasc. A primeira edição foi realizada no município, em 2005. Esta é a quarta vez que a cidade recebe a competição.
Mais do que sediar os jogos, a edição de 2026 oferece uma oportunidade para identificar quais soluções funcionam e quais barreiras ainda permanecem. O legado mais relevante poderá estar justamente na incorporação dessas melhorias à rotina da cidade depois que as delegações forem embora.