Estamos praticamente a três semanas do primeiro turno e, mais uma vez, esse exercício salutar da democracia servirá para responder algumas das incógnitas que atravessaram o processo eleitoral. Algumas respostas a política até tenta antecipar. Outras, só as urnas conseguem dar.
E esta eleição catarinense chega à reta final carregada de personagens que, por motivos diferentes, ajudam a contar uma história curiosa: a dos que ensaiaram ir, dos que resolveram não ir e dos que precisam ir — porque talvez já não tenham muitas outras oportunidades pela frente.
Ao longo do caminho, tivemos balões de ensaio espalhados pelo Estado. Nomes apresentados como possíveis novidades, mas que acabaram não chegando à urna. É o caso da ex-presidente da OAB-SC Cláudia Prudêncio, cujo nome circulou como alternativa, mas não conseguiu transformar a exposição e o reconhecimento dentro da advocacia em musculatura eleitoral suficiente para levar o projeto adiante.
Há também quem já tenha demonstrado força nas urnas e, desta vez, preferiu os bastidores. Pedrão Silvestre é talvez o exemplo mais emblemático. Foi o vereador mais votado de Florianópolis em 2016, com impressionantes 11.197 votos, construiu um nome conhecido na Capital e já disputou a prefeitura. Em 2026, no entanto, preferiu o papel de coadjuvante, atuando na coordenação de campanha. Às vezes, na política, saber quando não disputar também é uma decisão eleitoral.
Para outros, porém, a eleição tem um peso bem maior: o da sobrevivência política.
Gean Loureiro é um desses casos. Ex-prefeito de Florianópolis por dois mandatos e derrotado na disputa pelo Governo do Estado em 2022, volta agora às urnas como candidato a deputado estadual. Para alguém que já comandou a Capital e sonhou governar Santa Catarina, a Assembleia Legislativa representa uma mudança significativa de rota. Uma vitória pode significar o início de uma reconstrução. Uma derrota, por outro lado, inevitavelmente levantará dúvidas sobre o futuro de sua carreira política.
Na Serra, Elizeu Mattos viveu situação ainda mais dura. Ex-prefeito de Lages, tentou voltar ao jogo eleitoral, mas teve a candidatura à prefeitura indeferida. É mais um personagem conhecido da política catarinense que encontrou dificuldades para transformar passado político em possibilidade concreta de retorno.
E talvez o caso mais simbólico seja o de Raimundo Colombo. Ex-prefeito, ex-senador e ex-governador por dois mandatos, Colombo agora disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados. Depois da derrota para o Senado em 2022, encara uma missão que, para alguém com seu currículo, poderia parecer simples — mas está longe de ser. Aos 71 anos e depois de décadas ocupando o primeiro escalão da política catarinense, sua candidatura também carrega um componente claro de sobrevivência política.
E são histórias como essas que se repetem por Santa Catarina.
Alguns prometeram renovação, mas faltou espaço, coragem — ou votos — para chegar até a urna. Outros, mesmo depois de derrotas, continuam tentando reencontrar seu lugar. Há ainda aqueles que descobriram que permanecer no jogo não significa necessariamente estar na cédula: às vezes é preciso aceitar o papel de coadjuvante para continuar fazendo parte do roteiro.
No fim das contas, talvez esta eleição não seja apenas sobre quem chega.
É também sobre quem consegue voltar.
Porque a política tem uma característica peculiar: quase ninguém admite que está indo embora. Uns recuam, outros reaparecem, alguns mudam de cargo, de estratégia ou de posição no tabuleiro.
Daqui a algumas semanas, as urnas dirão quem ainda tem passagem de volta.
E quem, desta vez, foi de vez.